Vulcão
O que as câmeras de vulcão olham
Das 180 câmeras deste site, 72 apontam para vulcões. Algumas parecem câmeras de mirante turístico, mas a maioria não foi instalada para lhe mostrar a vista. Este texto é sobre para que elas estão ali, e sobre como saber se a coisa branca na tela é uma pluma vulcânica ou apenas nuvem.
Câmeras de vulcão existem para cobrir as horas em que ninguém pode estar lá
A parte difícil de monitorar um vulcão é que, no momento em que algo muda, não há garantia de que alguém esteja presente. Sismômetros e clinômetros transformam o movimento subterrâneo em números, mas as coisas que se apreendem num relance com o olho — quanta fumaça branca sobe do cume, a que distância caiu a rocha lançada — não viram números. E ninguém vai colocar uma pessoa na borda da cratera no meio da noite ou numa nevasca.
Então uma câmera segue voltada para a cratera no lugar do olho humano. Ela atualiza uma imagem fixa a cada poucos minutos e acumula anos de "como isto costuma ser". Quando acontece algo fora do comum, o que carrega significado não é a imagem daquele dia sozinha, e sim o quanto ela difere do habitual. É por isso que a maioria das câmeras de vulcão nunca muda o enquadramento. O valor está em fotografar a mesma composição indefinidamente.
Como experiência de assistir, essa é uma propriedade um tanto sem graça. Sem zoom, sem giro. Mas é justamente a falta de graça que a torna correta como instrumento, e se você assistir com a intenção de achar "o que há de diferente hoje", ela fica interessante rápido.
Identificando a coisa branca
O que as câmeras de vulcão mostram com mais frequência é uma massa branca. Pluma, nuvem, vapor — ou névoa na lente. Com prática, algumas pistas permitem arriscar um palpite.
- Se a origem não se move, é pluma. A nuvem pega o vento e vai embora; a pluma continua saindo de um ponto fixo, a cratera. O vento pode rasgar o formato, mas a base fica onde está.
- Se sobe e desce ao longo da encosta, é nuvem. Qualquer coisa que aparece e se dissolve enquanto rasteja pela encosta é quase sempre nuvem formada pelo ar batendo no relevo.
- Se o quadro inteiro está branco por igual, o problema está na lente. Gelo, condensação, nevasca. Se até a linha da crista se dissolveu, desconfie da câmera, não da atmosfera.
- Manhã e fim de tarde são difíceis de julgar. A contraluz pode fazer uma pluma parecer preta, e nuvem baixa pode pegar a luz como se fosse fumaça. Na dúvida, espere e olhe de novo.
Dito isso, essa identificação é passatempo de espectador, nada além. A avaliação real da atividade vulcânica é feita pela Agência Meteorológica do Japão e pelos observatórios de cada país, combinando medições sísmicas, de deformação, de gases e outras. Por favor, não leia uma tela branca como sinal de erupção. Para informação oficial, consulte sempre os comunicados dos próprios órgãos.
As câmeras de vulcão do Japão
O Japão responde por 56 delas. Dessas, 49 são câmeras que a Agência Meteorológica do Japão instalou para monitoramento vulcânico; as restantes são câmeras de contenção de sedimentos do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transportes e Turismo, câmeras de observação da natureza do Ministério do Meio Ambiente, e uma transmissão que a Fundação dos Parques Naturais mantém a partir do Aso. Mesmo entre "câmeras de vulcão", um ministério diferente significa um alvo diferente.
Agência Meteorológica — uma câmera por vulcão sob monitoramento contínuo
A Agência vigia 24 horas por dia 50 vulcões considerados com probabilidade de estarem ativos, como "vulcões sob monitoramento contínuo". Ao lado de sismômetros e clinômetros, as câmeras de vigilância fazem parte disso. Imagens recentes são publicadas para 49 dessas montanhas, atualizadas mais ou menos a cada dois minutos.
Algumas montanhas têm várias câmeras, mas este site escolhe uma por montanha. Enfileirar vários ângulos quase idênticos do mesmo pico torna-os indistinguíveis, então reduzimos àquele que melhor mostra o caráter daquela montanha. O resultado cobre os principais vulcões ativos do Japão, do Atosanupuri, no norte, ao Suwanosejima, no sul.
Os nomes das câmeras da Agência são secos, e honestos por isso. "Kusasenri, Monte Aso" quer dizer uma câmera colocada em Kusasenri — o nome é de um ponto turístico, mas o que ela olha é a cratera do Nakadake. Julgue só pelo nome do lugar e a simplicidade da imagem pode decepcionar.
Algumas que valem ser nomeadas:
- Kuttara, Jigokudani de Noboribetsu (Hokkaido) — um vale cheio de fontes termais e vapor nos restos de uma cratera. Excepcionalmente entre as câmeras de vulcão, a trilha com gente andando nela também está no quadro. Quanto mais frio, mais espesso o vapor.
- Okama, Monte Zao (divisa Miyagi / Yamagata) — um lago formado pela água acumulada na cratera. O tempo aqui muda com facilidade, então dias em que a superfície da água aparece com clareza não são tão comuns. Pegar um dia limpo dá gosto de vitória.
- Owakudani, Hakone (Kanagawa) — o vale fechado à entrada quando a atividade aumentou em 2015. Sai vapor de pontos por toda a encosta, o que faz desta a câmera definitiva em que "coisa branca na imagem" é o estado normal.
- Monte Ontake (divisa Nagano / Gifu) — a erupção de 2014 levou a uma revisão do monitoramento vulcânico em todo o país. A rede atual, incluindo esta câmera, foi construída depois disso.
- Kuchinoerabujima (Kagoshima) — a ilha evacuada por inteiro depois da erupção de 2015, vigiada aqui também do lado de Yakushima. Um exemplo de como os lugares sem gente, ou com pouca, são exatamente onde uma câmera é necessária.
- Aogashima (Tóquio) — uma caldeira dupla com outro morro dentro dela. Tem a menor população entre as ilhas habitadas do Japão, e tanto barcos quanto voos são cancelados com facilidade.
Contenção de sedimentos e observação da natureza
A Agência Meteorológica não tem monopólio sobre câmeras voltadas para vulcões. O ministério dos transportes as aponta para as mesmas montanhas em preparação para fluxos de detritos e queda de cinzas; o ministério do meio ambiente faz isso para observação da natureza; a Fundação dos Parques Naturais faz isso para apresentar um parque nacional.
- Câmeras de vigilância de Sakurajima (Kagoshima) — um dos vulcões mais ativos do Japão, monitorado aqui para obras de contenção de sedimentos. Como o objetivo é prático — preparar-se para cinzas e fluxos de detritos —, o enquadramento está travado bem em cima da cratera e dos canais.
- Monte Asama visto de Tsumagoi (Gunma) — a montanha do outro lado da suave saia norte. No inverno, o modo como a neve se assenta faz o relevo da encosta aparecer.
- Manza Karafuki (Gunma) — um campo de fumarolas onde o vapor sobe de encostas claras sem vegetação. Diferente de uma câmera sobre uma cratera, aqui o vapor sai do próprio chão.
- Monte Nekodake visto de Minami-Aso (Kumamoto) — o Nekodake, conhecido pela crista serrilhada, visto de dentro da caldeira do Aso.
- Cordilheira Kirishima vista do Planalto de Ebino (Miyazaki) — um aglomerado de vulcões observado do lado do planalto.
- Câmeras de contenção de sedimentos do Monte Fuji (Shizuoka) — também não é câmera de turismo; ela vigia a encosta, incluindo o desmoronamento de Osawa.
- Nakadake e Kusasenri, Monte Aso (Kumamoto) — uma transmissão que a Fundação dos Parques Naturais mantém a partir de Kusasenri. Ela transmite do mesmo Kusasenri que a câmera da Agência Meteorológica, mas em vídeo com movimento, e não numa imagem fixa a cada poucos minutos.
Só o Monte Fuji e Sakurajima carregam câmeras dos dois órgãos. Parece duplicação, mas uma câmera de monitoramento vulcânico e uma de contenção de sedimentos diferem em direção e enquadramento. Abra Monte Fuji (câmera da Agência Meteorológica) e as câmeras de contenção de sedimentos do Monte Fuji uma atrás da outra e você vê como a mesma montanha pode parecer diferente.
Note que as câmeras da Agência não são vídeo, e sim imagens fixas, atualizadas a cada poucos minutos. Você está vendo alguns minutos atrás, não este instante. Se quiser acompanhar a velocidade com que a nuvem se move, deixe passar um tempo e abra de novo.
Nova Zelândia — uma montanha de vários ângulos
A GeoNet contribui com 11 câmeras, e o raciocínio por trás delas parece diferente do japonês: várias câmeras por montanha. O Ruapehu tem três — norte, leste e sul — e várias outras estão apontadas em volta do Tongariro.
O motivo é simples: para onde a pluma se desloca depende do vento. Com uma câmera só, a que estiver a sotavento vê a pluma vindo em sua direção e não consegue julgar o volume. Vários ângulos permitem comparar de qualquer jeito. Coloque Ruapehu norte e Ruapehu sul lado a lado no mesmo dia e a neve acumulada e a cobertura de nuvem parecem completamente diferentes — o que é discretamente fascinante.
Crateras Te Maari, Monte Tongariro pega de perto a cratera que entrou em erupção em 2012. O Monte Taranaki tem o cone limpo de um pico isolado, um formato que lembra o Fuji para quem é do Japão. A Ilha Raoul é uma ilha vulcânica desabitada longe do continente; sem ninguém estacionado ali, câmeras e instrumentos são tudo o que dá notícia dela.
As duas câmeras costeiras, costa de Whakatane e costa de Te Kaha, parecem apontadas para o mar em vez de para uma montanha, mas o alvo é a ilha vulcânica de Whakaari (Ilha Branca), mar adentro. A ilha está longe o bastante para exigir um dia limpo e de boa visibilidade. Se houver algo pequeno e branco de pé além da água, é a pluma.
Havaí e o continente americano
Kilauea e Mauna Loa são publicadas pelo Observatório Vulcanológico do Havaí, do Serviço Geológico dos EUA. A cratera de cume do Kilauea, Halemaumau, desabou bastante durante a atividade de 2018, e as erupções se repetiram desde então. O Mauna Loa está entre os maiores vulcões-escudo do mundo em volume, mas sua encosta é tão suave que ele é vasto demais para se ler como "montanha" na tela.
No continente, o Parque Nacional do Monte Rainier e o Parque Nacional Crater Lake são classificados como vulcões. O Rainier é um estratovulcão glaciado cujo cume raramente está acima da nuvem. O Crater Lake é água acumulada na cratera que sobrou quando uma erupção antiga derrubou a montanha. Olhando aquela superfície parada hoje, é difícil pensar nele como vulcão, mas sua origem é inequivocamente vulcânica.
Sobre a hora de assistir
Diferente das câmeras de cidade, as de vulcão ficam essencialmente pretas à noite. Não há postes nem letreiros, então, enquanto é noite no local, nada se lê. As câmeras japonesas funcionam no horário japonês, mas nas do exterior, ignore o fuso e você abre num retângulo preto.
Como regra de bolso, manhã no Japão é início da tarde na Nova Zelândia, e noite no Japão é manhã ao meio-dia no Havaí e na costa oeste da América do Norte. Há mais em como ler a diferença de fuso.
Câmeras de vulcão não estão ali para lhe mostrar um momento dramático. O trabalho delas é registrar, todo dia, que nada está acontecendo. Abra-as com isso em mente e há o que ver mesmo num quadro silencioso.